Soul Decoder
  

Lamúrias Aleatórias de um Qualquer

 

Que seria eu sem medo, ou sem nojo?

Sem a dor que esfacela o arrojo?

Nada mais que uma febril agitação...

 

Poderia arrogar-me nova estância?

Ou furtar-me desta vã deselegância?

Não – não hão de conceder-me permissão...

 

Aos imundos, só é dado o rejeito;

A miséria nunca foi a exceção.

Pois aos deuses não dizemos mais respeito:

Seu pecado é mostrar-nos compaixão.

 

As certezas sucumbiram sem renome,

As estrelas são sinais da des-razão.

Não há nada que sacie nossa fome;

Quem nos nutre é a mão da privação.

 

___________________________________

[Epílogo]

 

Que destino tem, porém, o bem-fadado?

Haveria, para ele, salvação?

Ou é ele, como eu, um impensado,

Esquecido sob o sol da Negação?



 Expelido por Uera Uera às 22h47
[] [estrague o dia de alguém]


 
   Flores sobre o Sepulcro

Há vestígios que os olhos não percebem,
Só o tempo faz o coração sentir;
Poderia eu, porém, dar-me ao luxo
De untar com esperanças o porvir?
Tais arrojos me colocam de joelhos,
Prosternado ante deuses do futuro...
- Como posso eu plantar minhas sementes
Em terrenos do mistério e do escuro?
Foi-se o tempo dos castigos e dos prêmios;
A nenhuma gratuidade se faz jus.
Que as bestas me arranquem estes olhos:
Já não posso dar sentido a qualquer luz.
O negrume e o mal são meu destino;
Só me resta uma última visão:
Se houverem flores sobre meu sepulcro,
Não será de mim que elas brotarão.

 Expelido por Uera Uera às 19h07
[] [estrague o dia de alguém]


 
  

O Escândalo

 

Vê, estranho, vê Aquele que percorre o valo escuro,

Que se embrenha nas florestas e se esconde sob a lama

Sem palavras nem olhares, é presença que te chama;

É o vidro que protege as mil faces do futuro.

 

Mas, acaso, viste a orla que instaura o precipício?

Já não há qualquer disfarce; o Escândalo existe!

Sem a bruma traiçoeira, o vencido não persiste;

Perseveram só os cegos, cuja fé é mais um vício,

Mas não há qualquer sentido – não tem rumo a Viagem.

Eis a confissão do telos: “Já não sou senão miragem”.



 Expelido por Uera Uera às 19h16
[] [estrague o dia de alguém]


 
   Apologia da Constância

Desde sempre enganados,
Desraigados, corrompidos...
Vultos idealizados,
Ditos “óbvios” e “vencidos”;

Reduziram-nos ao mito,
Tão viril e temporário;
Um infame temerário
Quis dar fim ao infinito!

Mas não somos um instante
Que se perde no passado,
Ou um Não nulificado
Mais veloz que o pensamento;
Antes somos o Constante,
Fundamento do Existido:
Não apenas o movido,
Mas o próprio Movimento!

 Expelido por Uera Uera às 01h41
[] [estrague o dia de alguém]


 
   Como? A Igreja Católica apoiou Hitler e o Nazismo?

http://www.israel3.com/ftopict-683-pio.html&



... um botão me disse que a "Santa" Inquisição talvez nunca tenha terminado...

 Expelido por Uera Uera às 22h21
[] [estrague o dia de alguém]


 
   Neurorréia

Os filhos dos demônios são todos nossos netos.

Outro chute no cadáver
E os loucos voltam a gritar, e se masturbam com morsas
A neurorréia é suculenta e infecciosa,
O ácido gástrico sobe à boca,
Forma-se a mistura maldita, o inumano é gerado e toma conta,
O tocado vira merda, a terra abre e apodrece,
Ossos expostos cheiram mal, mortiços – lamba-os, Discriminado.

Virgens são-para-a-moléstia.

Desabrochar é vomitar-se a si, em si,
Consciente da hidrocefalia sagrada,
Ejaculando a Substância por todos os poros.

 Expelido por Uera Uera às 12h58
[] [estrague o dia de alguém]


 
   O Existido

Ser-no-mundo é ser-escravo;
É nascer enforcado e levar toda a culpa
Por ter as tripas rebentadas
E não ter mãos para entregá-las aos demônios;
É ser queimado com ácido nítrico e mutilado vivo
Como oferenda ao deus furioso
De uma religião desconhecida;
É ser enviado a uma guerra de tribos canibais
Sem nenhuma arma,
Sem nenhuma causa;
É ser condenado à passividade,
Como um brinquedo do acaso
Perdido em nostalgias impossíveis:
Sonhos vivos de uma morta liberdade
Liberdade nunca livre – nem ao menos em meus sonhos.

 Expelido por Uera Uera às 23h49
[] [estrague o dia de alguém]


 
  

Eterno Vertical

 

Genocídio dos atípicos:

São os deuses fenotípicos,

Tais arquétipos do Mal...

 

O Ninguém exemplifica;

O Qualquer decodifica;

A desgraça: ser igual...

 

O veneno é entregue às ovelhas:

Incapazes, sem vontade de filtrar,

Formam seu metabolismo similar,

E se chamam a si mesmas de abelhas!

 

O comércio de verdades (irreais atrocidades)

Atravessa os espaços (determina vossos passos)

E a vida esquecida (flores mortas à jazida)

Dá-se conta do final (o Eterno Vertical).



 Expelido por Uera Uera às 23h25
[] [estrague o dia de alguém]


 
   Refugo dos Vermes

O cadáver – recompensa pela vida –
Jaz malquisto n’um local indesejável
Excremento pós-humano deplorável,
Apodrece desde sua despedida...

Ser inútil, já há tempos sepultado,
Relegado a jantar bacteriano;
E, conquanto se revele tão mundano,
Mais parece um demônio deformado.

Suas tripas e seus olhos – carcomidos
Dos cabelos já não resta nem um fio;
Pobre morto! Tão maldito, doentio,
Esquecido em seus últimos gemidos...

E os vermes aloucados que consomem,
Que mastigam, ruminantes, tantos ossos
Talvez deixem de lembrança os destroços
Do refugo que um dia fora homem.

 Expelido por Uera Uera às 21h18
[] [estrague o dia de alguém]


 
  

Além do Proibido


Meu instante, feito vulto,

Inocula-se oculto

Em cristal eternizado...

É fantasma indiscreto

Corre solto – mas secreto

N’um suspiro impensado...

Minha mônada se abre

Pela força do teu sabre;

Inicio novos passos

Para além do proibido:

Quero ter meu fim perdido

No calor dos teus abraços.



 Expelido por Uera Uera às 03h12
[] [estrague o dia de alguém]


 
   A Negação da Vida

Nossa vida nesta Terra foi negada
Por ovelhas milenares reunidas:
Nascem ébrias, com fraquezas embebidas
N’uma crença totalmente infundada.

Quem criou tais inverdades sem sentido?
Toda história natural falsificada!
Desprezíveis que advogam pelo Nada...
E nos dizem: “Quem não crê está perdido”.

Pois pergunto: Onde está o Salvador?
O placebo que espanta toda dor?
A neurose que, ao louco, é paterna?

Nossa Terra, para vós é malquerida;
Pois então, que abandonem esta vida!
Vossa Morte, afinal, não é Eterna?

 Expelido por Uera Uera às 15h00
[] [estrague o dia de alguém]


 
   Transposição Óptica

Eu miro teus olhos buscando verdades
Brilhantes perfeitos, jamais lapidados,
Adentro jazigos de sonhos calados:
Mil luas nascentes – as más divindades
Mistérios noturnos – redutos cinzentos
Por que te prendeste a tantos inventos?
Já deste à vida eternos sentidos?
A mim não olhaste, não deste ouvidos...
Nem mesmo suspiras em minha presença
E este silêncio amarga meu ser
Deveras, não posso te compreender:
Não queres que meu coração te pertença?

 Expelido por Uera Uera às 02h54
[] [estrague o dia de alguém]


 
   Repetição

O passado segue por atualizar,
Monstro vivo, feito fonte, a sangrar
Escondido sob um véu inconsciente;
Minhas mágoas se fizeram intangíveis
Ao externo, nunca são inteligíveis,
Mas perseguem e sufocam o presente.

Posso eu me desligar da consciência,
Anular a causa desta conseqüência,
Apagar o deus da minha conceição?
A memória traz o mal perpetuado,
Aprisiona-me a erros do passado,
Faz da vida uma vã repetição...

Os desejos somem todos nesta lei;
Vêm os males, frutos que jamais plantei,
Vidas pútridas, malditas como eu!
A desgraça se renova num instante,
O futuro é um nada tão constante:
Antes mesmo de nascer, já pereceu!

 Expelido por Uera Uera às 11h46
[] [estrague o dia de alguém]


 
  

Mortal, Eterno Mortal

 

(Parte I – Síndrome de Roberto Jefferson):

Eu seria tão corrupto

Se agora, mui abrupto,

Revelasse a verdade?

As mentiras foram várias,

Mas estou às solitárias...

Sou só uma ambigüidade...

 

(Parte II – Mortalidade):

Não resisto ao sofrer,

Pois as dores são do ser:

São os meios ao final;

Corro bons e maus caminhos,

Todos cheios de espinhos;

- Eu sou bom... sou mau... mortal.

 

(Parte III – Eternidade):

Esta vida é errante – uma pluma

Que vacila inconstante pela bruma,

E adentra furacões de dez infernos;

Mas eu sigo desertor da inverdade,

Não pereço nesta vã mortalidade:

Vou à Morte, pois meus versos são eternos.



 Expelido por Uera Uera às 14h48
[] [estrague o dia de alguém]


 
  

Como não comentaram muito no post anterior e não premiaram ninguém no estilo Poesia, categoria Estreante, no Concurso Literário Municipal dessa cidade maldita, aqui vão os três poemas com os quais eu participei daquela fraude.

Cemitério de Sonhos

 

Amarrado a malícias,

Mergulhado em sevícias,

Sem razões para viver...

Só e vago, a turbar...

Céu sombrio, sem um luar...

Noite sem amanhecer

Um poeta a quem lê...

Um mistério a quem vê...

Mil sofreres tão tristonhos

Cuja Una Emoção

Jaz em vosso coração,

Cemitério de meus sonhos.

 


Laços Imortais

 

Minha Princesa congelada,

Ó, prisioneira nunca amada,

Nossas roseiras já murcharam,

Já nos caíram os cabelos,

Dos quais surgiram pesadelos,

Pois nossos sonhos não vingaram...

Dois corações sob a poeira

Na esperança derradeira

Ao controverso existir...

Terminaremos abraçados,

Pois, se vivemos separados,

A morte há de nos unir.


Razão

 

Sem acesso à verdade,

O que é Realidade?

Solicito um colírio

E do certo me esquivo...

Eu existo, estou vivo,

Ou componho um delírio?

A fantástica proeza

De se ter uma certeza

Não terá persuasão,

Pois, em vez de benefício,

Há de ser um estropício

Ao emblema da Razão.



 Expelido por Uera Uera às 03h04
[] [estrague o dia de alguém]


 
  [ ver mensagens anteriores ]  
 
 
(SiC) Uera
Nome: Vinícius Lagni Homem
a.k.a. Uera
(Maldito Seja) O dia do meu nascimento: 24/06/1987
Música: Slipknot, Marilyn Manson, System Of A Down, Korn, DevilDriver, Fear Factory, Coal Chamber, Brujeria, Static-X, Murderdolls, Machine Head, Mudvayne...
MSN: viniunderstande@hotmail.com ICQ: 174698299
Uma porção do Absurdo, peça incorrigível do Caos cósmico a sangrar versos doentios e inúteis como a totalidade do que há... um defunto sobrevivido rastejando em direção ao inevitável, sem jamais alcançar a podridão, sem jamais reverter a horrível sensação de estar jogado em solo estranho e sem qualquer subterfúgio, sem qualquer amparo, sem qualquer esperança.


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